“O MUNDO ESTÁ CHEIO DE PESSOAS QUE SÓ FAZEM FALAR. AGORA, QUANTOS ENTRE NÓS REALMENTE FAZEM O QUE FALAM"?
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Feliz Natal!
domingo, 11 de novembro de 2012
Você colabora com seu terreiro?
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
AS SETE LINHAS DE UMBANDA E SUAS INTERMEDIAÇÕES!
Sete linhas existem na umbanda. Este número reflete as verdades maiores de cima para baixo, das divinas dimensões onde habitam nossos mentores até aos seres mais baixos da escala evolutiva. No movimento umbandista as sete linhas são objeto de um sem número de confusões e mal-entendidos, que de forma simples procuraremos desvendar.
Devido a insistentes 'pedidos por carta’, novamente entraremos neste assunto, já abordado em números anteriores, para que possamos fixar a realidade das sete linhas de Umbanda, além de darmos “gancho" para que o leitor e irmão Umbandista possa se esclarecer melhor com relação a matéria a seguir, sobre as sete fases do movimento umbandista. Uma das primeiras dúvidas que surgem na mente do adepto umbandista é com relação as tão faladas sete linhas de Umbanda, pois existe uma grande confusão gerada em nosso meio devido a interpenetração de vários aspectos mitológicos, que foram por muitos mal interpretados.
Um destes é com relação ao sincretismo, pois muitos confundem o Orixá com o santo ao qual ele é sincretizado. Estamos dizendo que, por exemplo, São Jorge não é Ogum e Ogum não é São Jorge, assim como São Sebastião não é
Oxossi e více-versa. Os santos da Igreja' Católica foram homens, que como nós, um dia encarnaram no planeta, ao passo que o Orixá não. Estes são entidades altamente posicionadas na hierarquia celeste e nunca passaram pela Terra, como encarnados. Assistem por cima, dando direcionamento aos desígnios maiores de nossa coletividade
planetária.
Nós, Umbandistas, acreditamos existirem sete variantes espirituais por onde se manifestam todas as coisas e por onde tudo tem existência. Mas muitos irmãos perguntam:
como podem haver sete linhas comandadas por um Orixá, se sabemos existirem pelo menos 14 deles, segundo os nossos irmãos da Nação Africana? Estes 14 Orixás são: Orixalá, Yemanjá, Ogum, Oxossi, Ossâim, Iansã, Obaluaiê, Oxumaré, Xangô, Obá, Nanã, Ibeji, Oxum, Odudua.
Esqueceram-se do chamado "par vibratório", que é o que faz a linha. Esta é comandada por um Orixá feminino e por um Orixá masculino cada qual coordenando os atributos masculinos e os atributos femininos de milhares de seres debaixo de sua vibração.
Estes pares são:
ORIXALÁ - ODUDUA•
OGUM - OBÁ
OXOSSI - OSSÂIM
XANGÔ - IANSÃ
OBALUAIÊ - NANÃ
IBEJI - OXUM
YEMANJÁ – OXUMARÊ
Aqueles que conhecemos mitos que contam as histórias destes Orixás entenderão o porquê desta complementação. Ressaltamos que o mito não deve ser seguido ou compreendido a risca, ele deve ser interpretado à luz da razão e da lógica, pois muitos atributos expressos nessas lendas se referem não ao Orixá, que está longe de alguns aspectos humanos que nelas são descritos, mas antes às tendências comportamentais que definem o temperamento de seus filhos.
Para simplificar, chamamos as linhas apenas pelos nomes dos
Orixás Orixalá, Ogum, Oxossi,Xangô, Obaluaiê, Ibeji e Yemanjá.
Lembramos que os nomes Ibeji e Obaluaiê são atributos ou qualidades dos Orixás Yori e Yorimá, estes, seus verdadeiros nomes, vibrados e consagrados desde o início dos tempos.
Abaixo destes, existem os Orixás Menores, que são os guardiães das luzes divinas dos Sete Orixás citados acima. Dentro desta Hierarquia sagrada, abaixo dos Orixás Menores temos os Guias que são os refletores da luz e abaixo dos Guias, os Protetores que são os executores da luz. Esta hierarquia não é semelhante as hierarquias da Terra, onde o que conta é o despotismo e o desrespeito. É, antes, um vínculo de responsabilidade e amizade entre espíritos-irmãos. Quanto mais elevado o espírito, mais consciência ele tem disso e mais trabalhos ele realiza. Cada um dos Orixás menores faz intermediação de uma linha a outra, ou seja, ele cruza para outra linha como costumamos dizer em nossos terreiros. Daí vem a expressão de que um Caboclo tal é cruzado com 'Ogum
Xangô, etc,
Damos abaixo a relação dos 49 Orixás menores. Salientamos que estas entidades dificilmente incorporam. Quando o fazem, é porque encontraram um médium limpo de mente e espírito, que possa se afinizar com suas vibrações. Geralmente, eles enviam emissários Guias, ou Protetores, que podem se utilizar dos nomes do Orixá menor que os comanda. Igualmente, estes nomes usados pelas entidades são chamados "nomes de guerra", que apesar de terem equivalência vibratória em nosso plano, não são os reais nomes destes mentores.
São, em primeira instância, nomes usados para uma melhor assimilação pelos consulentes.
LINHA DE ORIXALÁ:
Caboclo Urubatão da Guia – Representante da Vibração Espiritual;
Caboclo Guaraci - Intermediário para Ogum;
Caboclo Guarani - Intermediário para Oxossi;
Caboclo Aimoré - Intermediário para Xangô;
Caboclo Tupi - Intermediário para Yorimá;
Caboclo Ubiratan - Intermediário para Yori;
Caboclo Ubirajara - Intermediário para Yemanjá.
LINHA DE OGUM:
Caboclo Ogum de Lei - Representante da Vibração Espiritual;
Caboclo Ogum Rompe-Mato - Intermediário para Oxossi;
Caboclo Ogum Beira-Mar - Intermediário para Xangô;
Caboclo Ogum de Malé - Intermediário para Yorimá;
Caboclo Ogum Megê - Intermediário para Yori;
Caboclo Ogum Yara - Intermediário para Yemanjá
Caboclo Ogum Matinata - Intermediário para Orixalá.
LINHA DE OXOSSI:
Caboclo Arranca Toco - Representante da Vibração Espiritual;
Caboclo da Cobra Coral - Intermediário para Xangô;
Caboclo Tupinambá - Intermediário para Yorimá;
Cabocla Jurema - Intermediária para Yori;
Caboclo Pena Branca - Intermediário para Yemanjá;
Caboclo Arruda - Intermediário para Orixalá;
Caboclo Araribóia - Intermediário para Ogum.
LINHA DE XANGÔ:
Caboclo Xangô Kaô - Representante da Vibração Espiriual;
Caboclo Xangô da Pedra Preta – Intermediário para Yorimá;
Caboclo Xangô 7 Cachoeiras - Intermediário para Yori;
Caboclo Xangô 7 Pedreiras - Intermediário para Yemanjá;
Caboclo Xangô da Pedra Branca – Intermediário para Orixalá;
Caboclo Xangô 7 Montanhas – Intermediário para Ogum;
Caboclo Xangô Agodô – Intermediário para Oxossi.
LINHA DE YORIMÁ:
Pai Guiné – Representante da Vibração Espiritual;
Pai Congo D’Aruanda – Intermediário para Yori;
Pai Arruda – Intermediário para Yemanjá;
Pai Tomé – Intermediário para Orixalá;
Pai Benedito – Intermediário para Ogum;
Pai Joaquim - Intermediário para Oxossi;
Vovó Maria Congá – Intermediária para Xangô.
LINHA DE YORI:
Tupanzinho – Representante da Vibração Espiritual;
Yariri – Intermediário para Yemanjá;
Ori – Intermediário para Orixalá;
Yari – Intermediário para Ogum;
Damião – Intermediário para Oxossi;
Doum – Intermediário para Xangô;
Cosme – Intermediário para Yorimá.
LINHA DE YEMANJÁ:
Cabocla Yara – Representante da Vibração Espiritual;
Cabocla Estrela do Mar – Intermediária para Orixalá;
Cabocla do Mar – Intermediária para Ogum;
Cabocla Indaiá – Intermediária para Oxossi;
Cabocla Iansã – Intermediária para Xangô;
Cabocla Nanã Buruquê – Intermediária para Yorimá;
Cabocla Oxum – Intermediária para Yori.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Os 7 Orixás!
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Orixás!
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Capa da 1ª edição do livro "Umbanda de Todos Nós" by W.W. da Matta & Silva de 1956.
W. W. da MATTA E SILVA
O Movimento Umbandista teve dois eventos importantes: o primeiro, no final do século XIX, com o Caboclo Curuguçu e o segundo, na primeira metade do século XX, com Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas. O evento do Caboclo das Sete Encruzilhadas trouxe para os umbandistas a parte prática da Umbanda. Era o primeiro passo para o abarcamento geral, não havendo preparo da grande maioria da massa umbandista para receber os ensinamentos esotéricos da Doutrina. No entanto, devemos ressaltar que isso já estava previsto e alguns dos médiuns preparados pelo Chefe já sabiam do fato.
No livro de João Severino Ramos, 1953, editado pela Tenda Espírita São Jorge, encontramos o seguinte:
Um movimento de aglutinação se opera entre as agremiações de Umbanda. Busca-se um denominador comum para todos. Caminha-se a largos passos para uma necessária uniformização das normas de trabalho, no que elas possuem de fundamental. Delineia-se, em nítidos contornos, a estrutura de uma doutrina que nos revelará, afinal, a Umbanda Esotérica: os tempos são chegados.
Na década de 1950 ocorreu o terceiro evento importante do Movimento Umbandista por meio de W.W. da Matta e Silva, Mestre Yapacani, que além de revolucionar conceitos doutrinários da Umbanda praticada até então, possibilitou através da sua mediunidade, as manifestações do Pai Guiné, o terceiro grande enviado do Astral para direcionar o Movimento Umbandista. Vejamos então quem foi este homem que, por meio de sua mediunidade e nove obras literárias, modificou substancialmente os aspectos doutrinários da Umbanda.
Woodrow Wilson da Matta e Silva nasceu em Garanhuns, Pernambuco, em 28 de julho de 1917 e foi, com a família, para o Rio de Janeiro aos 5 anos de idade. Entre 12 e 13 anos passou a experimentar as primeiras manifestações mediúnicas (algumas visões). A primeira manifestação ocorreu quando tinha 16 anos, incorporando o Preto-Velho Pai Cândido. Nessa fase da vida trabalhava como auxiliar de um jornal do Rio de Janeiro e residia no centro da cidade.
Nas noites de quinta-feira, realizava sessões mediúnicas, incorporando Pai Cândido, para atender as pessoas da república onde morava. Diversas vezes programou atividades profanas para quinta-feira, porém Pai Cândido se manifestava mostrando a ele a sua tarefa para com as pessoas, que aguardavam essa noite para serem consultadas.
Aos 17 anos passou a visitar alguns terreiros de Umbanda em busca de um lugar para trabalhar mediunicamente. O Preto-Velho, entretanto, pedia que ele tivesse paciência e dizia que ele teria sua própria casa espiritual.
Aos 21 anos passou a residir no bairro da Pavuna, onde montou seu primeiro terreiro. A partir de 1954, Pai Guiné se manifestou e deu direcionamento a sua mediunidade. Nessa época, recebeu dessa Entidade a mensagem Sete Lágrimas de Pai-Preto, conhecida pela maioria dos umbandistas. Essa mensagem mostra a realidade do cotidiano de um terreiro e as diferentes consciências que a ele acorrem, procurando auxílio espiritual. Ainda nesse ano passou a escrever para o Jornal de Umbanda localizado à Rua Acre, 47, 6o andar, sala 608.
Iniciou também a obra que mostrava uma nova visão da Umbanda. Nessa época teve vários transes mediúnicos em que se via numa grande mesa, onde em uma das extremidades havia um Velho Pajé que folheava um grande livro. Próximo dele, algumas Entidades Espirituais discutiam o momento propício para a publicação do livro. Decidiram então, que a hora oportuna havia chegado e, em 1956, essa fabulosa obra foi trazida a público.
Umbanda de Todos Nós foi lançado, às expensas do autor, pela Gráfica e Editora Esperanto, localizada na época, à Rua General Argolo, 130, Rio de Janeiro. A primeira edição saiu com 3.500 exemplares e rapidamente se esgotou. A partir da segunda edição a obra foi lançada pela Livraria Freitas Bastos. Atualmente, oito das suas nove obras são publicadas pela Ícone Editora. A sua família não permitiu a reedição do livro Macumbas e Candomblés na Umbanda.
Umbanda de Todos Nós agradou a muitos umbandistas, que nela encontraram os verdadeiros fundamentos em que se podiam escudar, principalmente nos aspectos mais puros da Doutrina. Entretanto, esta obra incomodou muitos seres encarnados e desencarnados ligados ao astral inferior, principalmente os pretensos lideres umbandistas da época e de todos os tempos, interessados no comércio de ilusões.
O ataque incessante sobre a obra serviu apenas para divulgá-la. Esse fato propiciou a ira de seus inimigos que começaram a atacar o médium por meio da magia negra. Nessa batalha astral, as sombras e as trevas recorreram a todos os meios agressivos e contundentes disponíveis, arrebanhando para suas fileiras de ódio e discórdia tudo o que de mais nefando encontrassem, encarnados ou desencarnados.
Esses ataques atingiram sua esposa, Dona Carolina da Silva, e seus filhos Ubiratan e Eluá. Muitas vezes balançou, mas não caiu. Uma boa parte de seus perseguidores sofreu a cobrança cármica da Lei. Esses fatos causaram muita tristeza a Matta e Silva, que recebeu permissão do Astral para interromper temporariamente o seu trabalho para restaurar suas forças.
Diversas vezes comentava que só não tombou porque Oxalá não quis. Após o recesso, Pai Guiné assumiu toda a responsabilidade pela manutenção e reequilíbrio espiritual de seu filho, para em seguida orientá-lo na elaboração de mais uma obra. Por intermédio da Gráfica e Editora Esperanto publicou Umbanda: Sua Eterna Doutrina, com conceitos esotéricos nunca divulgados. Esta obra agradou os estudiosos e intelectuais, porém não logrou boa aceitação pela maioria dos umbandistas da época. Para complementar e ampliar os conceitos tratados nesse livro, publicou, em seguida, o livro Doutrina Secreta da Umbanda que também agradou a muitos umbandistas.
Apesar de suas obras serem lidas e estudadas pelos adeptos e estudiosos do Ocultismo, seu terreiro em Itacuruçá era frequentado por pessoas simples e humildes que nem imaginavam ser Matta e Silva um escritor renomado do meio umbandista.
Em seu Santuário junto à natureza, escreveu outro livro importante: Lições de Umbanda e Quimbanda na Palavra de um Preto-Velho, obra mediúnica que apresenta um profícuo diálogo entre um discípulo, Cícero e um Preto-Velho. Essa obra apresenta uma linguagem mais simples para a maioria dos umbandistas.
O Terreiro do Pai Guiné, em Itacuruçá, estava sempre lotado. Ali eram atendidas pessoas da região e de locais distantes do Brasil. Nessa casa espiritual, os problemas do ser humano eram tratados à luz da razão e da caridade. Durante 10 anos, W.W. da Matta e Silva atendeu pessoas da localidade e das ilhas próximas, ministrando medicamentos vegetais e alopatias simples que ele mesmo comprava no Rio de Janeiro.
Prosseguindo em sua missão, escreveu seu quinto livro: Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda onde explica, com linguagem simples e acessiva, as raízes da Umbanda, aprofundando-se no sincretismo dos Cultos Afro-Brasileiros. Em seguida, publicou a sexta obra: Segredos da Magia da Umbanda e Quimbanda onde fez uma abordagem da Magia Etéreo-Física e revelou, de forma simples e prática, alguns rituais da Magia de Umbanda.
Sua sétima obra: Umbanda e o Poder da Mediunidade explica a necessidade da restauração da Umbanda no Brasil, mostrando suas verdadeiras origens. Aborda ainda, aspectos importantes da Magia.
Em 1969, publicou o livro que sintetizava os sete anteriores: Umbanda do Brasil, esgotado seis meses após o lançamento. Em 1975, Matta e Silva lançou sua última obra: Macumbas e Candomblés na Umbanda, onde fez o registro das vivências místicas e religiosas dos denominados Cultos Afro-Brasileiros, mostrando os graus de consciência de seus praticantes, nos níveis mais populares da Umbanda.
Vejamos dois trechos das páginas iniciais de Umbanda de Todos Nós:
Meus irmãos espirituais...jamais esqueceremos o dia dois de abril de 1958 às 14:15 horas, hein? Com um pito e três baforadas trouxe o velho G...hein? Wanda...lembras? Oh, que sublime intuição e proteção a tua, naquele instante crucial, minha irmã! Como a “coisa” pegou fogo, daí por diante. Assim, dedico-lhes esta página, para que saibam que jamais esqueci um só minuto, a nossa passada e presente amizade, da qual, deram provas, em carinho e dedicação, durante o tempo que privamos, testemunhando juntos...naquela luta de março a junho de 1959...
Nesta página o mais sincero dos meus “saravá” para o digno confrade e amigo capitão JOSÉ ALVARES PESSOA, Presidente e Diretor de Doutrina da Tenda São Jerônimo.
A este umbandista de fibra, pela sinceridade com que emitiu o conceito abaixo sobre esta obra, quando por ocasião do lançamento da 1a edição – o mais fraterno dos meus “saravá”...
Sendo o primeiro que, desassombradamente e por escrito assim procedeu, causou-me singular satisfação, visto que, em sã consciência ninguém lhe pode negar autoridade, fruto dos profundos conhecimentos que tem sobre o movimento externo e interior da Umbanda, revestidos pela sua cultura e pela experiência de mais de 30 anos, como militante, nesse meio.
Matta e Silva era muito humano e avesso a mitificação e a mistificação de sua pessoa. Era muito sensível e possuía personalidade forte, acostumado que estava a enfrentar as lutas da própria vida. Era muito inteligente e tinha os sentidos muito apurados. Mas era um ser solitário, apesar de estar sempre rodeado por muitas pessoas. Seu espírito voava, interpenetrando as causas dos sofrimentos e mazelas das humanas criaturas. Para todos tinha uma palavra amiga e individual. Não tratava problemas, tratava almas. E, assim, tinha para cada ser humano um modo de agir, segundo o seu grau de consciência.
Era incrível na mediunidade. Seu famoso copo da vidência, apresentava nuances tridimensionais. Em perfeita ligação fluídica com Pai Guiné ou Caboclo Juremá, revelava mensagens importantes do Astral e diversos fenômenos magísticos. Seu terreiro, uma construção simples e humilde, em um prédio de 50 m2, denominava-se TENDA DE UMBANDA ORIENTAL (T.U.O.), verdadeira Escola de Iniciação de Umbanda Esotérica de Itacuruçá, na Rua Boa Vista, 117 no bairro Brasilinha.
Durante 50 anos de incessante trabalho mediúnico, nunca se curvou aos ataques do submundo astral. Sua palavra e sua escrita foram armas fiéis defensoras da verdadeira Umbanda.
Vejamos um trecho da sua introdução de sua obra Umbanda do Brasil
“Nós jamais tivemos a pretensão de querer impor uma sistemática doutrinária “da nossa Umbanda de elite” a presunçosos “Chefetes de Terreiro” manipulados por quiumbas e tampouco a “psudobabalaôs” analfabetos, chafurdados no meio vibratório grosseiro que criaram, cheirando a pipoca, sangue e galo preto. Desses que se multiplicam por toda a parte, ostentando “diplomas” de fontes escusas, a fim de fazerem da Umbanda uma industriazinha rendosa...De conluio com certas “casas” que vendem artigos religiosos de Umbanda.
Tampouco jamais esperamos influir e muito menos aceitar a “linha doutrinária” dessas pseudo-organizações de “cúpula” ditas Uniões, Confederações etc – pois cada uma tem seu “dono” enquistado e cercado de sua camarilha.
Nós somos, realmente intransigentes em nosso ideal e no cumprimento da tarefa que recebemos de caboclo e preto-velho de verdade, e estamos dentro de uma conscientização que não teme nada, quando se faz preciso defender a Sagrada Corrente Astral de Umbanda. E não importa continuemos sozinho – há mais de 20 anos – nessa luta até o fim de nossos dias terrenos. Outros surgirão e retomarão o encargo.
Continuaremos escrevendo, elucidando e combatendo a astúcia dos espertalhões e de certos “visionários”, uns até de formação iniciática ou esotérica consolidada em outros setores e que pretendem arreglar o meio umbandista para fins ocultos... Isto é, políticos, arvorando-se até em “juízes” dos fundamentos da Sagrada Umbanda, como se nós – iniciados dela – déssemos “bola” para esse tipo de capatazes do “esoterismo, orientalismo e teosofismo” que se achegaram com a tola pretensão de nos dar lições.”
A década de 1960 foi um período difícil para o Movimento Umbandista, em virtude do enxovalhamento que certos programas de televisão, jornais e revistas fizeram às entidades umbandistas. Os “diretores” e “presidentes” de tais Federações e Uniões contemplavam tal afronta covardemente, sem levantar um dedo para defender a sua religião.
Em 1967, as importantes revistas Realidade, O Cruzeiro e Fatos e Fotos publicaram reportagens sobre o conhecido médium mineiro Zé Arigó, enaltecendo as “suas maravilhosas” curas e cirurgias espirituais por meio de seu mentor, chamado Dr. Fritz. As vantagens financeiras passaram a envolver o médium, através de milhares de receitas mensais, que implicavam em um maior consumo de medicamentos de determinados laboratórios.
Essas reportagens traziam, além da fotografia do Sr. Arigó, um enorme cartaz pregado na parede e que dizia: Espiritismo de Kardec, sim! Umbanda e Macumbas que não curam e causam doenças, não! Nada de Terreiros. Ass: Dr. Fritz.
Vejamos o que dizia Matta e Silva sobre o assunto:
“Que fizeram esses pseudolideres, esses “donos” de Organizações da “cúpula” umbandista, diante disso; Nada! Absolutamente nada! Ficaram a “ignorar”, uns cinicamente, outros “inocentemente”, semelhante achincalhe. Suportaram tudo, agachados, de quatro pés, silenciosamente. Engoliram a moral umbandista – “com caboclo, preto-velho, Orixá e tudo”...Ah! fariseus! É por essas e por outras que eles não toleram o tal do Matta e Silva...
E quando surgimos (a convite) num famoso programa de televisão – Show Sem Limite – inicialmente na TV Rio, depois na TV Tupi – (outubro e novembro de 1967) debatendo vários assuntos, entrando até na polêmica, pois visava sempre elucidar sobre a Umbanda e fizemos a sua defesa, desassombradamente, desafiando duramente o tal Arigó (ou o Dr. Fritz) a que viesse provar aquela indignidade (definindo o que ele entendia por Umbanda), agitando e apaixonando o meio umbandista digno, consciente, sincero, foi o que aceitamos tomar contatos no citado meio.
Nessa circunstância recebemos o apoio direto de alguns irmãos umbandistas, que julgamos dignos, sinceros, assim como o Dr. Henrique Landi e outros, e muito especialmente o digno Deputado Áttila Nunes.
Com esse confrade e valoroso umbandista, através de seu programa radiofônico Cânticos de Umbanda – Melodias de Terreiro, pela Rádio Rio de Janeiro, debatemos a questão, em longas entrevistas, intimando os responsáveis para que tirassem dali – do “Gabinete de Curas” do Sr. Arigó – aquela tabuleta, o que foi feito, segundo comunicações e retratações posteriores, por carta e jornais...
Mas não foi só isso! Certos outros “lideres” que tinham o dever moral de já terem feito de alguma forma o que nos coube fazer (pois alguns deles tem coluninha fixa em jornais), em vez de se acercarem nesse objetivo, o que acharam de fazer, nessa ocasião foi babarem as peçonhas da inveja e do despeito, “assombrados”, pensando que pretendêssemos tomar de “assalto” a tal “liderança” deles, no dito meio – desse mesmo que jamais tiveram a dignidade nem a convicção de defender, mesmo que o fizessem “com pipoca, dendê e galo preto... que é o que sabem fazer e ensinar.
A esses despeitados tradicionais aqui vai um bom tranquilizante: não se assustem!
Entre o Matta e Silva e eles, nunca haverá um denominador comum. Conhecemos vocês muito bem. Sabemos o que fazem pelo que doutrinam e usufruem.. Jamais pretendemos ser o “dono” de organizações saturadas de ebó e da menotoxina dessas “babás do santo rebolado” e nem desses “babalaôs deslumbrados, vigaristas, feitinhos no Kêto – filhinhos de Yansã, de olhares de peixe morto...”
Agora, essa que temos há anos de defender – a dignidade da verdadeira Corrente Astral de Umbanda – essa é a nossa mesma. Dessa liderança moral, intelectual, espiritual, não abrimos mão, nem de uma só vírgula, para arreglos espúrios; nem ontem, nem hoje, nem amanhã...
Portanto, continuaremos influenciando o meio umbandista evoluído, através de nossas obras, conforme já é um fato inegável, na certeza de que cada vez mais crescerá o número dos que estão se elucidando nelas “.
O “Velho Matta” desencarnou em 17 de abril de 1988, em Jacarepaguá. Durante 25 anos visitou mais de 600 Terreiros para poder relatar, em suas obras, o que se passava no seio do Movimento Umbandista. Trouxe à luz os aspectos esotéricos da Umbanda que, infelizmente, é praticada na atualidade por poucos Terreiros.
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